Em 1971, enquanto o teatro, o cinema e a música popular eram amordaçados pela censura da ditadura militar, o Stagium recusa o colonialismo e a alienação de então, decidindo seu destino. Nos passos do Teatro Oficina, do Arena e do Cinema Novo, que não podiam se manifestar, percorre um caminho diferente daquele que havia pautado a dança no brasil, impondo-se como a mais gratificante experiência no gênero.
Esse trabalho se inicia quando, naquele ano, os diretores Marika Gidali e Décio Otero se unem para uma série de programas didáticos sobre as diversas vertentes da dança na TV Cultura de São Paulo. Dia 23 de outubro de 1971 é considerado o marco inicial da Companhia. Os 33 anos de atividades do ballet foram marcados pelo trabalho e dedicação de diversos artistas e colaboradores, fazendo do Stagium o que ele é e representa hoje para a cultura Nacional
Em suas criações, utilizando vertentes universais da dança, com aspectos típicamente brasileiros, o Stagium conquistou um vasto público em todo país – público esse, até então, muitas vezes avesso às manifestações coreográficas.
Suas produções adaptáveis aos mais diversos tipos de espaços permitiu e permite que sejam feitas apresentações em pátios de escolas públicas das periferias dos grandes centros, em favelas, igrejas, praias, hospitais, estações de metrô, num palco flutuante armado no lago do Ibirapuéra, em presídios, nas unidades da antiga FEBEM, no chão batido das terras indígenas (Posto Leonardo, Alto Xingu), num convés da Barca Juarêz Távora, durante 15 dias no rio são francisco…
Os diretores Marika e Décio trabalham desde 1974 num grande estúdio na Rua Augusta, na cidade de São Paulo, desenvolvendo um programa de pesquisas em várias linguagens de dança.
Artistas de vários segmentos da cultura nacional ministram palestras e conferencias à companhia e aos amantes da arte da dança:
- Maria Bonomi, (artes plásticas).
- Ademar Guerra (diretor teatral).
- Maurício Kubrusly (música popular).
- Helena Katz (história da dança).
- Cássia Navas (história da dança),
- Cacilda Lanuzza (antropologia).
- Marilena Ansaldi (teatro-dança).
- Leda Alves (cultura popular).
- Paulo Herculano (música)
- Oswaldo Mendes (teatro)
- Márcio Tadeu (cenografia e figurinos)
Vários compositores criaram partituras originais para o Stagium:
- Milton Nascimento, (Missa dos Quilombos)
- Egberto Gismonti (Pantanal)
- Wilham Sena (O Homem do Madeiro)
- Aylton Escobar (Quebradas do Mundaréu)
- André Abujamra (Shamain)
- Marcelo Petraglia (luminescência)
O Stagium foi a primeira companhia de dança nacional a utilizar trilhas sonoras da mpb, valorizando Pixinguinha, Waldir Azevedo, Geraldo Vandré, Chico Buarque, Lamartine Babo, Ari Barroso, Lina Pesce, Cartola e muito outros.