Quem está fazendo dança hoje no Brasil pode não saber disso, mas deve alguma coisa ao Ballet Stagium. Eles são um exemplo muito sério de que utopias existem − e dão certo.” As afirmações da crítica de dança Helena Katz destacam a importância da nova edição do programa Ocupação, dedicada ao Stagium. O grupo comemora, neste 2011, 40 anos de um ideal artístico que abrange inovação, formação de público e responsabilidade social.
A exposição acontece de 10 de novembro a 22 de janeiro, no Itaú Cultural, em São Paulo. A história do grupo será retratada em 48 monitores, que exibem entrevistas com os diretores da companhia, Décio Otero e Marika Gidali, trechos de peças, registros de viagens e aulas, bem como momentos de criação e testemunhos dos lugares pelos quais o Stagium passou. Todos os vídeos estarão em uma instalação desenvolvida pelos curadores Edgard Duprat e Carlos Gardin. Os registros audiovisuais foram coletados por Duprat.
São quatro décadas de história, com mais de 3 mil apresentações e público de cerca de 2 milhões de pessoas. A companhia viajou por todo o Brasil, pela América Latina e pela Europa, mesmo com poucos recursos. Apresentou-se para detentos da Febem (atual Fundação Casa), índios do Xingu e para as plateias dos grandes teatros, sempre buscando uma comunicação ampla, de “homem para homem”, como afirma Décio Otero.
Três perguntas
O que dançar? Como dançar? Essas eram − e são − questões essenciais para a companhia. Para falar com todo tipo de público, o Stagium dialogou com a música, a literatura, as artes visuais. Tratou de temas marcantes de seu tempo, tornando-se símbolo de resistência cultural contra a ditadura. Procurou lidar com temas humanos universais e, ao mesmo tempo, trouxe brasilidade a uma dança que, até então, se inspirava em grande parte em conceitos europeus.
Havia, e há, ainda outra pergunta fundamental: para quem dançar? Como afirmou Marika Gidali: “Com que direito você dança em uma terra onde criança morre de fome?”. A trajetória do grupo é marcada pela preocupação com necessidades sociais. Seus vários projetos envolvem a formação de bailarinos e professores, sempre com foco na população de baixa renda. Um deles, o Joaninha, de 2000 a 2010, trabalhou com mais de 1.500 alunos.
Site
No dia de abertura da mostra, será lançado um hotsite especial para a Ocupação Ballet Stagium, com parte do material da exposição e conteúdo exclusivo, como entrevistas com personalidades ligadas à história da companhia e criadores contemporâneos, que contam como foram influenciados por ela. No endereço atual, você pode visitar as edições anteriores do programa Ocupação, dedicadas a artistas como Flávio Império, Haroldo de Campos, Zé Celso, Chico Science.
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