Adoniran (2009)

ADONIRAN (2009)

Foto: Arnaldo J. G. Torres

No centenário de nascimento de Adoniran Barbosa, o Ballet Stagium dança Adoniran, o poeta paulista que, por sua obra musical, retrata a cidade de São Paulo mediante um dos fundamentos de sua formação como cidade moderna: o amálgama entre culturas.

A partir do bairro da Bela Vista,  vai misturando cultura européia – italianos do Bixiga- com cultura do Brasil, notadamente aquela de extração africana, as duas se entrelaçando na origem deste bairro central da capital de São Paulo.

O que resulta são os sotaques próprios de suas antológicas  canções, como Samba Italiano,  Iracema, Mariposas, Bom Dia Tristeza, Tiro ao Álvaro, Saudosa Maloca e Trem das Onze.

Décio Otero cria sobre estas partituras, sua escrita coreográfica,  transformada em espetáculo por Marika Gidali, em elenco renovado, onde todos permanecem em cena como um coro cênico que comenta as ações dos solistas, duos e trios.

O coro é como São Paulo, metáfora de multidão, de onde se descolam os bailarinos para dançar os cotidianos dramas das canções do compositor da Bela Vista.

Em cena, além da tradução das canções de Adoniran, ainda temos uma possível representação de uma figura sua – na forma de clown, maestro sem orquestra, mago-  que observa a ação que se vai tecendo, ao longo do espetáculo.

A fábula subjacente a este personagem, que tudo observa,  remete ao compositor, que em permanente e inquieta observação da vida dos habitantes simples de uma cidade em constante mutação,  dela pinçava a poesia diária –  trágica, cômica, estética, fugaz.

Também como Adoniran, e de longa data, Décio Otero e Marika Gidali, diretores do Ballet Stagium, também observam o país em que vivem.

A partir dele, encarado como permanente “dramaturgia de origem”, nos apresentam obras sobre nossa cultura e sensibilidade.  São quarenta anos de atividade estética, transformando em metáforas corporais as “coisas do Brasil”.

Adoniran é criação desta trajetória, fundamental para a arte de um país plural, onde muitos sotaques e pronúncias, também pronunciados através da dança, devem ser conjugados sem cessar.

Cássia Navas
Professora Instituto de Artes/UNICAMP
Setembro/2010

 

Ficha Técnica
Direção – Décio Otero Marika Gidali
Concepção, Coreografia, Roteiro Musical : Décio Otero
Direção Teatral : Marika Gidali
Edição  Trilha Sonora: StagiumTec
Desenho De Luz : Décio Otero  e Edgard Duprat
Montagem, Operação de Som e Luz : Edgard Duprat
Figurinos : Marcio Tadeu
Fotografos: Arnaldo Torres,Emidio Luisi

Roteiro Musical Músicas
1º-Entrada                                                  Nino Rota
2º-Mariposas                                            Adoniran Barbosa
3º-Iracema                                                Adoniran Barbosa Clara Nunes
4º-Despejo Na Favela                            Adoniran Barbosa
5º-Tocar Na Banda                                 Adoniran Barbosa
6º-Bom Dia Tristeza                               Adoniran Barbosa Vinicius De Moarais
7º-Tiro Ao Alvaro                                  Adoniran Barbosa
8º-Samba Italiano                                  Adoniran Barbosa
9º-Vila Esperança                                  Adoniran Barbosa
10º-Vide Verso Meu Endereço        Adoniran Barbosa
11º-Saudosa Maloca                             Adoniran Barbosa
12º-Trem Das 11                                     Adoniran Barbosa Letra De Vinicius De Moraes
13º- Final Musica Do Grande Chefão

Subscribe

Inscreva-se em nossa newsletter para receber as atualizações do portal.

Nenhum comentário.

Deixe um Comentário